Uso de Contraste em Condições Especiais
Pacientes com Fatores de Risco para Reações Adversas
História de reação prévia aos MC: Atenção especial para reações moderadamente graves ou graves
Recomendações:
- Determinar a exata natureza da reação prévia
- Verificar o agente utilizado anteriormente
- Avaliar procedimentos alternativos
- Avaliar risco-benefício do procedimento
- Se necessário, utilizar MC diferente do previamente administrado
- Manter supervisão médica por pelo menos 30 minutos
- Assegurar disponibilidade de drogas e equipamentos de emergência
Pacientes com Asma
Risco 5-8 vezes maior de reações graves com MC não iônicos
Conduta:
- Asma não controlada sem urgência: adiar exame e encaminhar para terapia
- Asma controlada: reavaliar necessidade do MC
- Se necessário: usar MC não iônico de baixa osmolalidade ou iso-osmolar
- Manter supervisão por 30 minutos após procedimento
Pacientes com Doença Renal, Diabetes e Condições Associadas
Risco de nefrotoxicidade relacionado ao grau de insuficiência renal, dose de MC e estado de hidratação
Dosagem de creatinina e TFGe:
- Indicações: doença renal (TFGe < 60), proteinúria, diabetes, hiperuricemia, cirurgia renal prévia, hipertensão
- Validade: 3 meses (pacientes estáveis) / 7 dias (hospitalizados ou doença renal aguda)
- Fórmula CKD-EPI para adultos, equação de Schwartz revisada para crianças
Calculadora de Clearance de Creatinina (TFGe)
Resultado do Cálculo
TFGeInterpretação Clínica:
- Status: Aguardando cálculo
- Metformina: -
- Contraste Iodado: -
- Contraste Gd: -
TFGe (Taxa de Filtração Glomerular Estimada): Fórmula CKD-EPI para adultos (≥18 anos), Equação de Schwartz revisada para crianças (1-17 anos).
Recomendações:
- Reavaliar necessidade do uso de MC ou método alternativo
- Hidratar paciente antes e após procedimento
- Profilaxia com SF 0,9% 1mL/kg/h 3-4h antes e 4-6h após para TFGe < 30
- Usar menor dose possível de MC não iônico de baixa osmolalidade
Pacientes em Uso de Metformina
Metformina tem eliminação renal e pode causar acidose láctica em insuficiência renal
Recomendações:
- TFGe ≥ 30 mL/min/1.73m²: Manter metformina
- TFGe < 30 mL/min/1.73m²: Suspender no dia do exame até 48h após
- Reintroduzir somente se não houver alteração da função renal
- Não é necessário suspender metformina antes do uso de MC à base de Gd
Diagrama de Conduta:
TFGe ≥ 30 → Manter metformina
TFGe < 30 → Suspender no dia do exame e 48h após, só reiniciar se TFGe não apresentar alteração significativa
Pacientes em Diálise
Os MC iodados e à base de Gd podem ser removidos através de diálise
Recomendações:
- MC Iodado: Correlação com sessão de diálise não é necessária
- Gadolínio: Coordenação com diálise é recomendada
- Iniciar hemodiálise rapidamente (máximo 3h após uso de Gd)
- Realizar por 3 dias consecutivos (sessões extras)
Uso de MC na Gravidez e Lactação
Considerações especiais para gestantes e lactantes
Gravidez:
- MC Iodado: Pode ser administrado se exame essencial. Avaliar função tireoidiana do neonato na 1ª semana.
- Gadolínio: Não recomendado em qualquer fase. Se indicação forte, usar MC macrocíclico na dose mais baixa.
Lactação:
- MC Iodado: Lactação pode ser mantida (excreção mínima)
- Gadolínio: Lactação pode ser mantida com MC macrocíclico
- Se usar MC de alto/médio risco: descontinuar por 24h (armazenar leite previamente)
Múltiplas Injeções no Mesmo Dia
Protocolos para diferentes combinações de meios de contraste
Gd + MC Iodado
- TFGe > 30: ≥ 4 horas
- TFGe < 30 ou diálise: ≥ 7 dias
- TC abdome: fazer antes da RM
2× MC Iodado
- TFGe > 30: ≥ 4 horas
- TFGe < 30: ≥ 48 horas
- Diálise com função residual: ≥ 48 horas
2× Gadolínio
- TFGe > 30: ≥ 4 horas
- TFGe < 30 ou diálise: ≥ 7 dias
Acesso Venoso Central
Considerações especiais para acesso central
Preferir acesso periférico com jelco 18 ou 20. Se acesso central necessário:
- Avaliar risco-benefício
- Reduzir velocidade para máximo 2 mL/s
- Reduzir concentração do MC iodado
- Confirmar localização da ponta do cateter (RX/TC)
- Testar fluxo antes da injeção
Pré-medicação para Pacientes com Fatores de Risco
Posicionamento Atual
ESUR v10.0 e AVR não recomendam pré-medicação devido à falta de comprovação de eficácia
ESUR v10.0 e AVR não recomendam pré-medicação devido à falta de comprovação de eficácia. As diretrizes do ACR ainda sugerem esquemas para serviços que desejam manter a prática.
Esquemas Sugeridos pelo ACR (2023)
Esquema de Greenberger (Oral)
| Droga | Período | Dose Adulto |
|---|---|---|
| Prednisona | 13, 7 e 1h antes do exame | 50 mg VO |
| Difenidramina | 1h antes do exame | 50 mg VO |
Nota: Difenidramina oral não disponível no Brasil. Alternativas: Fexofenadina ou Loratadina.
Esquema Injetável
| Droga | Período | Dose Adulto |
|---|---|---|
| Metilprednisolona | 1h antes do exame | 40 mg IV |
| Hidrocortisona | 1h antes do exame | 200 mg IV |
| Difenidramina | 1h antes do exame | 50 mg IV |
Alternativas Brasileiras
Adaptações para a realidade brasileira
Como difenidramina oral não está disponível no Brasil, sugere-se:
Anti-histamínicos H1
- Fexofenadina: 180 mg VO
- Loratadina: 10 mg VO
- Cetirizina: 10 mg VO
Corticosteroides
- Prednisona: Disponível em comprimidos
- Metilprednisolona oral: Não disponível no Brasil
- Dexametasona: Alternativa injetável
Contraindicações
Segurança em Ressonância Magnética
Princípios de segurança para exames de RM
Os estudos de Ressonância Magnética (RM) têm sido realizados na prática clínica há mais de 20 anos. Muitas das lesões relacionadas à RM decorreram do aparente descumprimento de princípios de segurança ou do uso de informações impróprias ou desatualizadas, principalmente no que diz respeito aos diversos tipos de implantes metálicos e demais aparelhos médicos implantáveis.
Importante: Proteger o cliente dos riscos e acidentes relacionados ao ambiente de RM depende do entendimento dos efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos, bem como dos riscos que envolvem a presença de diversos tipos de implantes, aparelhos e acessórios médicos implantáveis dentro deste ambiente.
Contraindicações Absolutas para Ressonância Magnética
Dispositivos e condições que NÃO PERMITEM a realização de exames de RM
Dispositivos Médicos e Implantes
- Bombas de infusão (inclusive implantáveis)
- Cápsula endoscópica e monitor de medida de pH (pHmetria)
- Cateter de Swan-Ganz e qualquer outro cateter com eletrodos ou dispositivo eletrônico
- Clamp carotídeo do tipo Poppen-Blaylock
- Clipes de aneurisma cerebral ferromagnéticos (antes de 1995 todos são). Não pode realizar RM os modelos em aço inox 17-7PH e 405. Clipes fracamente ferromagnéticos requerem checagem de data de colocação, modelo, etc.
- Desfibrilador implantável (cardíaco)
- Fios guias intravasculares
- Fios metálicos de localização pré-cirúrgica mamária (exceto aqueles especificamente compatíveis)
- Fixadores ortopédicos externos metálicos não-removíveis
- Halos cranianos para fixação cervical
- Holter (monitorização cardíaca contínua)
- Implantes dentários magnéticos (infrequentes)
- Marcapasso (cardíaco e outros tipos)
- Monitor de PIC (pressão intracraniana)
- Neuroestimuladores e moduladores (espinhais/medulares, intestinais, vesicais e outros)
- Prótese coclear metálica, implantes otoiógicos e aparelhos auditivos não removíveis
- Próteses internas ortopédicas em pacientes anestesiados, com rebaixamento do nível de consciência, ou conscientes com perda de sensibilidade no local da prótese
Contraindicações Relativas para Ressonância Magnética
Dispositivos e condições que exigem AVALIAÇÃO ESPECIAL ou precauções específicas
Dispositivos e Condições Especiais
- Aparelhos auditivos: Necessário remover. O implante auditivo do tipo sistema BAHA não é contraindicado desde que se remova o imã/bateria externo.
- Implantes otológicos: Como tubos de ventilação, são feitos de titânio, teflon ou silicone e podem ser utilizados a depender da marca e modelo. Isto também é válido para algumas próteses de cadeia ossicular.
- Amamentação: Não há necessidade de suspender a amamentação após a injeção de contraste materno. Menos do que 0,0004% do gadolínio injetado na mãe será absorvido pelo organismo da criança no período da amamentação nas primeiras 24 horas.
- Cabos de marcapasso: Cabos de marcapasso epicárdico sem o aparelho conectado são considerados seguros. Cabos de marcapasso intravenosos, mesmo isolados, são contraindicados.
- Cânula de traqueostomia metálica: Trocar por cânula plástica antes do exame.
- Claustrofobia: Depende do tipo de exame, possibilidade de sedação e tamanho do tubo. Preferencialmente realizar nos aparelhos abertos (tipo Espree).
- Clipes Hemostáticos: Alguns modelos são liberados, porém os modelos a seguir são contraindicados: The resolution (Boston Scientific Corp), Long Clip (HX-600-90L Olympus), Quick clip 2 (HX-201LR-135, HX-201UR-135 Olympus), Quick clip 2 (HX-201LR-135L, HX-201UR-135L Olympus), TriClip Endoscopic Clipping Device (TRICLIP). Outros clipes cirúrgicos metálicos podem realizar exame, exceto os de aneurisma cerebral.
- Clipes Hemostáticos gastrintestinais: Verificar o tempo de instalação, após 2 meses considerado seguro. Caso necessário fazer antes deste período submeter o paciente a uma radiografia e mostrar para o radiologista.
- Expansores mamários: São seguros, exceto os dos tipo Infall e Mentor (Santa Barbara). Os expansores do tipo McGhan devem ter a especificação complementar, como o modelo para possível consulta e liberação da realização do exame. O McGhan modelo 150 é compatível e está liberado para realização do exame no 1,5T.
- Gestante:
- Evitar no primeiro trimestre
- Pode ser realizado nos equipamentos de 1,5 e 3T
- A realização do exame e do contraste dependerá de cada indicação clínica
- Indicações para gestantes no 1º trimestre: Lesões cerebrais ou medulares maternas; pacientes oncológicas; pacientes com doenças aguda torácica, abdominal ou pélvica sem diagnóstico pelo USG; casos específicos de anomalia fetal ou desordens fetais complexas
- Material metálico na órbita:
- Se externo (pálpebra, supercílio, etc), pode realizar no 1,5 T consciente
- Se for intraorbitário (exceto prótese para glaucoma, que está liberada), não pode realizar
- Não realizar com anestesia/sedação e não realizar no 3T
- Se necessário radiografar antes
- Molas de embolização: Checar modelo, se não for testado e considerado seguro - não realizar antes de 8 semanas.
- Patch transdérmico com material metálico, ou qualquer eletrodo que não seja de fibra de carbono: Necessário remover antes do exame.
- Piercing: Necessário remover, a remoção deve ser feita pelo próprio paciente.
- Projéteis ou rastilhos metálicos por ferimento de arma de fogo: Depende da localização - avaliar com radiografias prévias.
- Próteses valvares cardíacas: Mesmo metálicas, realizar somente no 1,5T.
- Próteses penianas:
- Sem contraindicação no 1,5 T, se consciente
- Não fazer sob anestesia e não colocar no 3T
- Existem duas marcas: Duraphase e Omniphase que não podem ser submetidas ao campo magnético tanto 1,5 T quanto no 3.0 T
- Sonda gastrintestinal com ponta metálica: Remover se exame de abdome superior.
- Suturas metálicas cutâneas: São seguras (exceto pontos de agraff em pacientes anestesiados ou com rebaixamentos do nível de consciência).
- Tatuagem ou maquiagem definitiva: Orientação do paciente sobre possível aquecimento, colocação de compressa fria pode ajudar.
- Válvulas de DVP (derivação ventrículo-peritoneal): Podem tanto no 1,5 T quanto no 3T. Nas válvulas de pressão programável é necessário o ajuste após exame de RM e não realizar no 3T.
Sem Contraindicação para Ressonância Magnética
Dispositivos geralmente SEGUROS para exames de RM
Dispositivos Compatíveis
- Acessos venosos centrais (port-o-cath, Hickman), exceto Swan-Ganz ou com eletrodos
- Aparelhos ortodônticos (aparelho fixo)
- Banda escleral ao redor do globo ocular (silicone). Se o paciente relatar desconforto, interromper o estudo
- Cateteres urinários "duplo J"
- Diafragma contraceptivo
- DIU e oclusor tubário "Essure"
- Esternografia inclusive em exames com anestesia
- Material de osteossíntese (fixação) de craniotomia
- Implantes dentários (exceto aqueles magnéticos, que são infrequentes)
- Próteses internas ortopédicas em pacientes conscientes e com sensibilidade no local, independente do tempo de instalação do material. Não realizar em pacientes anestesiados
- Próteses foraminais cardíacas
- Próteses vasculares
- Sementes de braquiterapia
- Stents vasculares (mesmo coronarianos), traqueobrônquicos e biliares
- Suturas metálicas cutâneas em pacientes acordados
- Marcador de radioterapia e mamotomia (titânio ou aço inoxidável - clipes cirúrgicos não intracraniano)
Observação importante: Salvo quando especificado no respectivo item, o tempo de instalação do material não interfere na sua segurança. Este resumo serve apenas como guia prático das contra-indicações e restrições nos exames de RM. Recomendamos que sempre se busque obter o tipo e modelo específico do material em questão, e sejam consultados os sites de referência e a literatura atualizada.
Contraindicações ao Meio de Contraste Iodado
Considerações importantes para o uso seguro de meios de contraste iodados
A. Reações alérgicas prévias ao meio de contraste (iodo)
- Leves: Ponderar risco/benefício. Avaliar necessidade real do exame com contraste.
- Moderadas e graves: Contraindicação absoluta. Considerar métodos alternativos de imagem sem contraste.
- Observações importantes:
- Via de regra, evitar também o contraste via oral (VO). Discutir casos em que seja muito importante para o diagnóstico.
- Não faz parte do protocolo fazer dessensibilização já que não há evidências significativas que a justifiquem.
- Situações específicas podem ser discutidas caso a caso com a equipe médica e alergologista.
- Em casos de extrema necessidade, considerar uso de contraste não iônico de baixa osmolalidade com monitorização rigorosa.
B. Asma
- Pacientes asmáticos têm maior chance de desenvolver reações alérgicas aos meios de contraste.
- Não há indicação de suspensão do meio de contraste apenas por diagnóstico de asma.
- Avaliar se a asma está bem controlada antes do procedimento.
- Em casos de asma não controlada, considerar adiar exame eletivo até melhor controle.
- Manter supervisão médica por pelo menos 30 minutos após administração em pacientes asmáticos.
C. Insuficiência renal
- Clearance de creatinina ≥ 30 mL/min: Geralmente seguro com hidratação adequada.
- Clearance de creatinina < 30 mL/min: Avaliar risco-benefício. Exceções terão de ser discutidas com o médico solicitante.
- Recomenda-se hidratação com soro fisiológico 0,9% 1mL/kg/h 3-4h antes e 4-6h após para pacientes com TFGe < 30.
- Usar menor dose possível de contraste não iônico de baixa osmolalidade.
- Monitorizar função renal após o procedimento em pacientes de risco.
D. Pacientes em perspectiva de tratamento com radioiodoterapia
- Confirmar com clínico solicitante antes de qualquer administração de contraste iodado.
- Não utilizar meio de contraste iodado em pacientes que serão submetidos à radioiodoterapia em breve.
- Caso tenha administrado contraste antes da perspectiva ser conhecida, aguardar período de washout:
- 3-4 semanas em pacientes com função tireoidiana normal
- 6 semanas em pacientes com hipotireoidismo
- Considerar métodos alternativos de imagem sem contraste iodado quando possível.
E. Tireotoxicose vigente
- Evitar meio de contraste iodado em pacientes com tireotoxicose não controlada.
- O iodo presente no contraste pode exacerbar o hipertireoidismo.
- Em casos de extrema necessidade, avaliar com endocrinologista e considerar profilaxia com tionamidas.
- Monitorizar função tireoidiana após administração em pacientes de risco.
F. Hipertireoidismo/doença de Graves tratados/controlados
- Não há contraindicação absoluta ao meio de contraste iodado em pacientes com hipertireoidismo bem controlado.
- Confirmar que paciente está em tratamento adequado e com exames tireoidianos controlados.
- Considerar avaliação com endocrinologista antes de procedimentos eletivos.
- Monitorizar sintomas de tireotoxicose após administração.
G. Metformina
- Pacientes sem insuficiência renal aguda e clearance de creatinina ≥ 30 mL/min: Sem necessidade de descontinuar a medicação antes ou depois da administração do meio de contraste.
- Pacientes com insuficiência renal aguda, crônica com clearance < 30 mL/min ou a serem submetidos a estudo arteriográficos com risco de embolia para a artéria renal:
- A medicação deve ser descontinuada pouco antes ou a partir da hora do procedimento
- Manter suspensa até 48 horas após o procedimento
- Restituir apenas após função renal satisfatória assegurada (dosagem de creatinina)
- Em pacientes diabéticos, monitorizar glicemia durante o período de suspensão da metformina.
H. Feocromocitoma
- Não há evidência de que os meios de contraste iodado modernos desencadeiem crises hipertensivas em pacientes com feocromocitoma.
- Contrastes à base de gadolínio também são considerados seguros.
- Recomenda-se monitorização da pressão arterial durante e após o procedimento.
- Manter terapia anti-hipertensiva usual do paciente.
I. Gestantes
- Apenas com autorização expressa de médico radiologista e da clínica solicitante.
- Avaliar risco-benefício considerando a real necessidade diagnóstica.
- Preferir métodos de imagem sem radiação ionizante (como ultrassom ou RM sem contraste) quando possível.
- Se necessário uso de contraste em TC:
- Usar menor dose possível para diagnóstico
- Proteger região abdominal com blindagem quando apropriado
- Documentar justificativa clínica detalhada
- Para o contraste iodado: pode ser administrado se exame essencial. Avaliar função tireoidiana do neonato na 1ª semana de vida.
J. Idade avançada
- Acima de 70 anos: Observar presença de disfunção renal relacionada à idade.
- A função renal diminui naturalmente com o envelhecimento, mesmo na ausência de doença renal conhecida.
- Recomenda-se dosagem de creatinina sérica e cálculo da TFGe em todos os pacientes idosos.
- Considerar hidratação preventiva em idosos com TFGe limítrofe.
- Monitorizar função renal após procedimento em pacientes muito idosos (>80 anos).
Observações gerais: Estas contraindicações são baseadas em diretrizes atuais e devem ser individualizadas para cada paciente. Sempre considerar o risco-benefício do procedimento e discutir casos específicos com a equipe médica responsável. Em caso de dúvida, consultar radiologista ou especialista em contraste.
Reações Adversas Agudas – Tratamento
Tratamento – Adultos
Adrenalina é a droga de escolha para reações moderadas e graves
Adrenalina é a droga de escolha para reações moderadas e graves. Preferir via IM na face lateral da coxa (vasto lateral). Pode ser repetida a cada 5–15 minutos, conforme resposta clínica.
Náuseas e Vômitos
- Reduzir ou interromper infusão do contraste
- Manter paciente em decúbito lateral se necessário
-
Antieméticos:
• Metoclopramida 10 mg IV lenta
• Ondansetrona 4–8 mg IV - Manter acesso venoso e observação clínica
Urticária e Prurido
-
Leve / localizada:
• Observação e suporte clínico -
Moderada a extensa:
• Difenidramina 25–50 mg VO, IM ou IV
• Alternativa: Loratadina 10 mg VO -
Refratária:
• Associar anti-H2 (ranitidina 50 mg IV) -
Corticoide (opcional):
• Hidrocortisona 200 mg IV
Broncoespasmo
- Oxigênio 6–10 L/min por máscara
-
Broncodilatador:
• Salbutamol 2–4 jatos (100 mcg/jato) com espaçador
• Repetir a cada 20 minutos, se necessário -
Adrenalina:
• 0,1–0,3 mg IM (1:1000) -
Corticoide:
• Hidrocortisona 200 mg IV ou
• Prednisolona 40–60 mg VO
Hipotensão ± Taquicardia
- Elevar membros inferiores (Trendelenburg)
- Oxigênio 6–10 L/min
-
Expansão volêmica:
• SF 0,9% ou Ringer Lactato 1–2 L IV rápido -
Sem resposta:
• Adrenalina 0,3–0,5 mg IM - Monitorização contínua da PA
Hipotensão com Bradicardia
- Oxigênio suplementar
-
Atropina:
• 0,6–1,0 mg IV
• Repetir a cada 3–5 min (máx. 3 mg) - Expansão volêmica IV
- Acionar equipe de emergência
Edema de Glote / Laringoespasmo
- Oxigênio 6–10 L/min
-
Adrenalina:
• 0,3–0,5 mg IM (1:1000)
• Repetir até dose total de 1 mg -
Corticoide:
• Hidrocortisona 200–300 mg IV - Preparar via aérea avançada
Algoritmo de Atuação – Reações Graves
- SUSPEITA DE REAÇÃO GRAVE: Parar infusão do contraste
- AVALIAÇÃO IMEDIATA: Via aérea, respiração, circulação (ABC)
- ADMINISTRAR ADRENALINA IM: 0,3–0,5 mg na coxa
- OXIGÊNIO: Alto fluxo (6–10 L/min)
- EXPANSÃO VOLÊMICA: SF 0,9% rápido
- MONITORIZAÇÃO: PA, FC, SpO₂, ECG
- CONTATO COM EQUIPE: Acionar equipe de emergência
- DOCUMENTAÇÃO: Registrar todos os passos e medicamentos
Tratamento – Pediátrico
Considerações especiais para pacientes pediátricos
Adrenalina é a droga de escolha nas reações moderadas e graves. Preferir via IM na face anterolateral da coxa (vasto lateral). Repetir a cada 5–15 minutos, conforme resposta clínica.
Urticária, Eritema e Prurido
- Manter acesso venoso
- Monitorar sinais vitais
-
Antihistamínico:
• Difenidramina 1 mg/kg IV ou VO (máx. 50 mg) -
Se refratário:
• Adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg)
Broncoespasmo / Estridor Expiratório
- Oxigênio 10–12 L/min por máscara
-
Broncodilatador:
• Salbutamol inalatório com espaçador
• Repetir conforme resposta -
Corticoide:
• Hidrocortisona 5 mg/kg IV -
Se grave:
• Adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg)
Hipotensão
- Elevar membros inferiores
- Oxigênio suplementar
-
Expansão volêmica:
• SF 0,9% 20 mL/kg IV rápido -
Sem resposta:
• Adrenalina IM 0,01 mg/kg - Monitorização contínua
Hipotensão com Bradicardia
- Oxigênio suplementar
-
Atropina:
• 0,025 mg/kg IV (máx. 1 mg) - Expansão volêmica IV
- Acionar equipe de emergência
Medicações – Doses Pediátricas
| Droga | Dose Padrão | Diluição | Observações |
|---|---|---|---|
| Soro Fisiológico 0,9% | 20 mL/kg | Pronto uso | Infundir rápido em hipotensão |
| Adrenalina (1 mg/mL) | 0,01 mg/kg IM | Não diluir | Máx. 0,3 mg por dose – repetir 5–15 min |
| Atropina (0,5 mg/mL) | 0,025 mg/kg IV | Não diluir | Máx. 1 mg |
| Difenidramina (50 mg/mL) | 1 mg/kg | Diluir em SF | Máx. 50 mg |
Intercorrências e Reações Adversas
Extravasamento do Meio de Contraste
Fatores de risco e conduta imediata
Fatores de risco: bombas injetoras, locais não ideais (membros inferiores), grande volume, alta viscosidade, fragilidade venosa, insuficiência arterial, drenagem comprometida, obesidade.
Conduta em Caso de Extravasamento:
Imediato
- Elevar membro acima do coração
- Crioterapia local 15-20 min
- Observar 2-4 horas no serviço
Encaminhamento
- Volume > 100 mL
- Bolhas na pele
- Alteração da perfusão
- Aumento progressivo da dor
- → Consulta com cirurgião
Documentação
- Radiografia/CT/RM da região
- Acompanhamento até reabsorção
- Crioterapia 3x/dia por 3 dias
Classificação das Reações Adversas
Sistema de classificação baseado em tempo e gravidade
Por Tempo de Início:
- Agudas: Até 1 hora após administração
- Tardias: 1 hora a 7 dias após administração
- Muito Tardias: Após 7 dias da administração
Por Gravidade:
Leves
Náuseas, tosse, calafrios, prurido limitado, rubor, sudorese, sabor metálico
Conduta: Observação, geralmente autolimitadas
Moderadas
Vômitos intensos, urticária extensa, broncoespasmo, edema facial, taquicardia, hipertensão
Conduta: Tratamento medicamentoso necessário
Graves
Laringoespasmo, inconsciência, convulsões, edema pulmonar, colapso vascular, PCR, broncoespasmo refratário
Conduta: Emergência médica imediata
Conduta para Reações Moderadas ou Graves
Protocolos de avaliação e documentação
Avaliação Laboratorial:
- Dosar histamina e triptase 1 e 2 horas após administração do contraste
- Se paciente internado: dosar também 24 horas após o evento
- Manter amostra de sangue para possíveis testes adicionais
Encaminhamento Especializado:
- Encaminhar para alergologista 1 a 6 meses após a reação
- Confirmar diagnóstico de alergia ao meio de contraste através de testes específicos
- Avaliar tolerância e identificar meio de contraste alternativo seguro para futuros exames
- Fornecer documento com informações sobre a reação e contraindicações
Registro e Notificação Obrigatórios:
- Registrar no livro de ocorrências do serviço de imagem
- Incluir informações detalhadas no RIS/PACS e no relatório do radiologista
- Comunicar reações importantes ao fabricante do meio de contraste
- Notificar à vigilância sanitária conforme regulamentação local
- Anotar dados específicos: lote, volume, via de administração, tempo de infusão, terapia instituída e evolução
Documentação Completa Deve Incluir:
Dados do Paciente
- Nome completo e registro
- Idade e peso
- Comorbidades relevantes
- Medicações em uso
Dados do Contraste
- Nome comercial
- Número do lote
- Volume administrado
- Via de administração
Descrição da Reação
- Tempo de início após administração
- Sintomas específicos
- Gravidade (leve, moderada, grave)
- Tratamento instituído
Fibrose Sistêmica Nefrogênica (FSN)
Fibrose Sistêmica Nefrogênica
Condição idiopática rara em pacientes com insuficiência renal
Condição idiopática rara em pacientes com insuficiência renal, caracterizada por esclerose cutânea, contraturas, dor, perda funcional e complicações sistêmicas. Associada ao uso de gadolínio.
Fatores de Risco:
Paciente
- Doença renal estágio 4-5
- TFGe < 30 mL/min/1.73m²
- Pacientes em diálise
- Processos inflamatórios agudos
- Cirurgia vascular recente
Agente
- Gadodiamida (Omniscan®)
- Gadoversetamida (OptiMARK®)
- Gadopentetato dimeglumina (Magnevist®)
- Múltiplas doses de gadolínio
- Doses elevadas (>0,1 mmol/kg)
Prevenção de FSN
Medidas preventivas essenciais
- Comprovar ausência de problema renal antes do uso de Gd (dosar creatinina e calcular TFGe)
- Discutir alternativas de diagnóstico por imagem (TC, US, RM sem contraste)
- Aplicar menor dose possível para diagnóstico adequado
- Utilizar preferencialmente contrastes macrocíclicos (gadobutrol, gadoteridol, ácido gadotérico)
- Em pacientes em hemodiálise: realizar HD em até 3h após Gd, por 3 dias consecutivos
- Se diagnóstico de FSN estabelecido: não injetar gadolínio em exames futuros
- Evitar Gd em pacientes com TFGe < 30 mL/min/1.73m², a menos que absolutamente necessário
- Documentar justificativa clínica quando usar Gd em pacientes de alto risco
Protocolos Técnicos de Tomografia Computadorizada
TC de Tórax - Protocolo Padrão
Protocolos iniciais para tomografia computadorizada de tórax
| Parâmetros Técnicos | |
|---|---|
| Área de Cobertura | |
| Cobertura principal | TODO O PARÊNQUIMA PULMONAR |
| Cobertura adicional | Incluir Todas as Últimas Costelas se Para Dor Torácica/Trauma |
| Contraste | |
| Contraste Oral | NÃO (Opcional em doenças do esôfago) |
| Contraste Venoso |
Dose: 1,0 a 2,0 ml/kg Velocidade (injetora): 2 ml/s a 4 ml/s Retardo: 20 s a 45 s Controle Bolus: Em todas as angios-TC |
| Fases de Aquisição | |
| Sem Contraste | Geralmente sem contraste |
| Contrastada | Quando indicado |
| Parâmetros Técnicos | |
| kV/mAs | Variável |
| AUTO mAs | Recomendável |
| Espessura | Menor ou igual a 3,0 mm |
| Reconstrução | Partes moles e pulmão |
Variações de Protocolos
TCAR
Amostragem mínima de 12 cortes com espessura até 1 mm
Decúbito dorsal e expiração quando indicado
ANGIO-TC
3 ml/s a 5 ml/s com 2 mm de espessura
Utilizar controle do bolus para aorta ou artéria pulmonar
TC de Abdome - Protocolo Padrão
Protocolo para tomografia de abdome
| Parâmetros Técnicos | |
|---|---|
| Área de Cobertura | |
| Superior | Cúpula diafragmática à crista ilíaca |
| Pelve | Crista ilíaca ao bordo inferior do ísquio |
| Contraste | |
| Contraste Oral | Preferência do serviço |
| Contraste Venoso |
Dose: 1,0 a 2,0 ml/kg Velocidade: 2 a 4 ml/s Retardo: 25 a 40 s (arterial), 70 a 90 s (portal/nefrográfica), 120 s (equilíbrio) |
| Fases de Aquisição | |
| Sem Contraste | Opcional, porém recomendado (menor mAs, sem modificar kV) |
| Pós-contraste: Arterial | Mandatória em cirróticos, neo de pâncreas, neoplasias hipervasculares, doenças vasculares |
Referências Bibliográficas
Fontes Científicas e Diretrizes
Baseado nas principais diretrizes internacionais
- Protocolos Iniciais de TC - CBR 2021
- ESUR Guidelines v10.0 - European Society of Urogenital Radiology
- ACR Manual on Contrast Media 2023 - American College of Radiology
- Diretrizes CBR - Curso AVR - Colégio Brasileiro de Radiologia
- MR Procedures: Biologic Effects, Safety, and Patient Care. Radiology 2004
- MRI Safety - www.mrisafety.com - Site oficial de segurança em RM
- Consenso Brasileiro sobre Meios de Contraste 2022
- Guidelines for Iodinated Contrast Use 2023 - Sociedade Europeia de Radiologia
Aviso: Este guia é baseado nas diretrizes mais recentes disponíveis até dezembro de 2024. Recomenda-se sempre verificar atualizações nas fontes originais antes de aplicações clínicas.